quarta-feira, 8 de setembro de 2010

.Inconstante e talvez imprevisível...



Goste do impossível, tenha medo do provável, de risada do ridículo e chore quando tiver vontade , mesmo  não tendo motivo.
Tenha um sorriso confiante, mas  que  não demonstre o tanto de insegurança por trás dele.
Seja inconstante e talvez imprevisível.
Goste ou não goste de rotina. Ame de verdade aqueles pra quem você dizer isso, e se irrite de forma inexplicável quando não botarem fé nas suas palavras.
Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo.
São poucas as pessoas pra quem eu me explico... minha coragem, meu medo...
Mas meu caro, parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.
O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.
Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

.Diversas vezes motivo de poesia...

O futuro pode não ser tão alegre.

Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo.
Roland Barthes

sábado, 28 de agosto de 2010

. divertir-se com o mundo.



AOS 80 ANOS:
Ela não se incomoda mais em olhar pra si mesma. Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo...
Talvez a gente devesse pegar aquele chapéu violeta mais cedo...

A vontade é impotente perante o que está para trás dela, seja ela até mesmo a saudade, é estranho mas sentimos vontade de saudade. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade. Nenhum tempo e nenhum lugar nos agrada tanto como o tempo que não existe, e o lugar em que não estamos, mas gostaríamos de estar.
Quando falo saudade,  me refiro também ao passado, mas sobre tudo, o que realmente vivi e valeu a pena.
Por muito tempo, pelo tempo que precisei na verdade, foi de grande ajuda pra  pra justificar meus erros  acertos, pelo mérito e  meu fracasso que carrego comigo como sendo a oportunidade de se começar de novo  de uma forma inteligente. Sentindo e não se tratando, e  é em nome deste intratável que um dia nos  estremecemos e separamos o que nos faz bem, seja certo ou errado.
Acreditar em veneração é a  afirmação de se perder, de que não tens auto-controle de seus atos. Bem válida tal frase iludir-se menos, viver mais. Viver de ilusão não é viver, não que a vida tenha um padrão, pelo contrário não existe padrão de loucura, ora, se existiria de vida.
Caro leitor,  persistir  no in concreto é o mesmo que  deslizar pela alucinação, permita-se machucar-se, sorrir até mesmo de ti mesmo, mas antes conheça a ti mesmo, imponha-se, venere, crie, pregue pelo seu amor próprio, doe mais, viva pouco, mas que seja o suficiente e principalmente intenso. Pra que quando tudo acabe, pra que quando se machuque, possa ferir-se de verdade com ferimentos graves na alma, no corpo na mente.
Cura? Nem o tempo cura.
Bem, haja o que houver o sol sempre nascerá, isso basta pra que você acorde escove os dentes com Jack, saia sem nada e volte cheio(a) de álcool, sóbrio, vida, paz, e continue vivendo, sem restrições.
Acredite viverás em paz.
O mundo está em nossas mãos, oh, dominamos o mundo exatamente, domine, não deixe dominar-se por algo ou alguém não vale a pena. Perdoe-me se estou parecendo moralista mas quero me divertir com você também.
Humor |Blasé, sarcástico, deprimente, pateta, palhaço, indiferente da situação serve de consolo ao controle do acaso, irreal, insano, clássico, assim como a histeria, tragicamente vivendo cada momento .
Acredite meu caro tornar-se hedonista e extremamente sarcástico você acaba que  exercendo uma influência trágica e avassaladora na vida de algumas pessoas, e no desenrolar da trama serão abordadas questões como a efemeridade da beleza, a amizade e valores morais.
Conhecimento é liberdade e poder.



terça-feira, 24 de agosto de 2010

Elaborando Luto.


Chegue mais pra perto,  traga-me um outro café. Olhe nos meus olhos, como se fosse conversar com minha alma. Só queria pedir que me contasse um segredo, não levaria mais que uma vida. Conte-me sobre os seus dias, os que eu estive e os que você me esqueceu, se preferir pode continuar com aquela noite, se regredir volte a esta noite, neste mesmo momento de  nostalgia que me encontro. Diga-me sobre como é deixar as pessoas. Pode falar, não irá doer mais do que já acontece. Aproxime-se mais de mim, e fale de todo coração como é viver. Pegue alguns álbuns de velhas fotos e veja se ainda restam recordações do dia em que eu ainda era alguém pra você,  novamente contradigo-me, mas você entende o sentido.
Por enquanto, o café esfriou,  a ansiedade da verdade já pegou a estrada, talvez já era tarde eu não tinha percebido, não que não visse mas preferi  olhar os passáros assim  que como eles, eu também  voo longe...
Auto-piedade não satisfaz meu pudor, já dizia antes, se eu soubesse antes o que sei agora faria tudo, exactamente tudo, igual.
Bem, não procurei final feliz  de tal história, apenas continuidade, pra que eu possa  assim como o viajante, como o passageiro seguir, acompanhado de  motivação, verdade e sinceramente sarcasticamente hipotético, é o suficiente pra satisfazer meu ego.
Me espere no portão de sua escada,  sente no local em que você possa esperar e me ver  mesmo que de longe, não sei se encontrarei novamente o caminho, não me peça do mapa tive de rasga-lo, e deixar o vento levar, realmente você tinha razão ele era revestido com vidro, acabei que me  ferindo gravemente, cortes profundos acabei virando pó...  o redemoinho novamente  me levantou,  ressuscitei exactamente como a Fênix entrando em auto-combustão e depois de algum tempo renascendo das cinzas, foi  o melhor pra mim, melhor pra você,  posso demorar pra chegar, demorar mais do que possamos imaginar, apenas peço que  viva seu tempo com o melhor do seu conteúdo que impiedosamente não consegui enxergar.
Sinto a perda,  não por perder você,  não  tinha você, como poderia perder, mas sinto a dor da perda do sentimento que eu tinha por você, era magnifico, hilário, uma graça.
Ainda  cito suas palavras ao vento, são lembranças de  bons momentos.
Desculpe-me por não falar de gratidão mas aqui ela tem o mesmo significado da palavra, NADA simplesmente esperando pra adoção.
Não realmente você não me ensinou a te esquecer, meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria...
Não me passo por vítima, eu sabia qual seria o trajecto do barco, mesmo assim persisti  no embarque...
Não voltarei atrás, só expectativas de que o tempo passa, tão devagar (Hung Up).
Minhas últimas palavras já postas, espero que seja como o pra sempre que sempre acaba Tik-Tok.
Eu nunca esquecerei o som daquela noite.
O grito de dor que eu ouvi, por último.
Oh, onde? onde estará o meu amor?
Você  tirou-o de mim.
Eu quis dizer, você não quis escutar, eu não quero te ver nem quero acreditar, nada mudou, nada de errado aconteceu, era tudo o que eu queria,  mas mesmo querendo eu não vou me re-enganar, concluindo somos iguais, basta.
Hoje, eu tive um sonho e levantei a tento, a tempo, eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho, e lembrei de um tempo, porque  o passado me traz uma lembrança...
Eu acordei com medo, no escuro eu via o infinito sem presente, passado ou futuro, senti um abraço forte não era medo, era uma coisa sua que ficou em mim, de repente ficou tudo no caminho escuro e frio mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu a dias atrás....
Como dizer que não perdi minha mente se não a conseguia controlar,  o impulso novamente me trouxe ao chão, preciso de um novo voo.
Estou pagando o preço, alto de mais por acreditar que só se vive uma vez, pensei que era liberdade, mas na verdade eram as grades da prisão.
E  me sentia um pouco peculiar.
E então eu acordava pela manhã e saía lá para fora, tomava  um fôlego profundo... me elevo ainda, por dias gritei, a plenos pulmões:
O que está acontecendo?
Hoje estou tentando subir aquela grande colina de esperança, por um destino.
Nada é por acaso. 
Me enganei outra vez.




A alma enuruga antes da pele...



Há tantas milhas, minha preferência optou por perseguir algumas intuições e, sem questionar, eu parti.
Antes de sofrer o corte da realidade, cortei.
Aqui essa realidade me consome, implora por socorro no silêncio, tão ingénua ainda têm esperança.
Verdades da angustia da solidão e da piedade, sentimento da alma.
O questionamento é sempre o mesmo, nada  a declarar, pouco se entende, escuta-se nada.
Verdades de um futuro bom, a ausência é o melhor remédio para a cura, sendo que a presença é a situação.
O desejo pelo jogo, pela situação, foi-se, foi-se...
O que pode voltar na verdade, não há estrutura para saber a verdade.
Foi como passar pelo portal da insanidade, mundo perfeito pra se guardar uma alma, parti, mas também parti minha alma o coração continua batendo na verdade é seu único dever, além de receber uma bela armadura como defesa ...
Bem, como se sai desse mundo?
Não existe saída, apenas esquecer e adormecer o ajudará novamente,  precisou de minha mão para entrar, por sorte acabei por amputa-la.
E mais  uma vez O SOL NASCEU.
Haja o que houver, o sol sempre vai nascer.
(Edson S. Barcellos)

THE SUN IS UP

Há semopre uma luz no fim do Túnel!
Não temos tempo para temer!
Continuar seguindo, mesmo que uns não queiram, é o desafio.
A vida é cheia de som e fúria.
O tempo não pára e ele diz: Vem!
Sartreanamente falando:
Mesmo o inferno sendo os outros, não os levo tão a sério.
All you need is love.
Todo mundo quer amor.
Ele quer. Ela quer.
Eu quero.
O amor jamais acabará!

Laercio Ruffa
 



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como dizia Caetano Veloso:

De hoje em diante
Eu vou modificar
O meu modo de vida...
Naquele instante
Em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...
Não quero com isso
Dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama
E tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...
Não vai ser fácil
Eu bem sei
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém...
De hoje em diante
Eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante
Em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...



sábado, 21 de agosto de 2010

.a respeito de opiniões em que convergimos...


Preciso de tempo,
apenas 85 anos é o que preciso,
não que não tenha força de persuasão, 
mas somente para reforçar  as teorias em práticas e poder vivência-las
preciso desse tempo,
pra ver meu filho avô 
e conversar com esse velho a respeito de opiniões em que convergimos,
e onde os dois estavam errados,
é inútil conselho
se não no mesmo tempo entendimento sobre o tempo
é pretensão achar que que nos escutam
ou ainda que concordam
é preciso viver,
e para isso é preciso tempo.
Quero tempo,
para poder provar aos que acreditaram que eu era um engano,
que o engano maior era acreditar que eu não era, 
por falta de tempo, 
quero tempo para cozinhar
e degustar cada tempero ali colocado,
cada um no seu devido tempo,
e sem olhar o tempo
poder escolher a bebida apropriada
pelo gosto e vontade,
FRIO e
QUENTE,
indepêndente do tempo.
E aqueles que odeiam, invejam, enganam e que tomam tempo,
possam ter tempo para enxergar  que sou como o tempo não apenas passo MARCO.
Que eu possa usar todo o tempo que me é dado para agradecer  e todo o tempo agradecido para entender  que o tempo não para,
não avisa que vai acabar,
apenas passa o TEMPO .


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

sonhos de amanhã..


Ouse sonhar...
pois, os sonhadores vêem o amanhã. Ouse fazer um desejo, pois desejar abre caminhos para a esperança e ela é o que nos mantêm vivos. Ouse buscar as coisas que ninguem pode ver.
Não tenha medo de ver o que os outros não podem. Acredite em seu coração e em sua própria bondade, pois, ao faze-lo, outros acreditarão nisso tambem. Acredite na magia, pois avida é cheia dela, mas,acima de tudo, acredite em si mesmo... porque dentro de você reside toda a magia... da esperança, do amor e dos sonhos de amanhã...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O essencial é invisível aos olhos...


Permita-me contar-lhe uma pequena história, sem fim...
Já se passaram dias, horas... melhor, músicas, lágrimas, começo e o presente que se passa.

Existe um homem que se esmera no comprimento do dever para dar bom exemplo:
Que fica humilde, quando poderia se exaltar;
Que chora à distancia, a fim de não ser observado;Que, com o coração dilacerado, se embrutece para se impor como um juiz inflexível;Que, na ausência, usam-no como temor para evitar uma ação menos correta;Que quase sempre, é chamado de desatualizado;Que apenas fisicamente, passa o dia distante, na labuta, por um futuromelhor;Que, ao fim da jornada, avidamente regressa ao lar para levar muitocarinho e, as vezes, pouco receber,Que esta sempre pronto a ofertar uma palavra orientadora ou relatar uma atitude benfazeja que possa ser imitada;Que, muitas vezes passa noites mal dormidas a decifrar os segredos da vida, quando extenuado, ainda consegue energias para distribuir energias;Que é tão humano e sensível, por isso, normalmente, sente a ausência do afeto que lhe é dado raramente e de forma pouco comunicativa.Que, vibra, se emociona e se orgulha pelos feitos daqueles que tanto ama.Esse homem geralmente, se agiganta e passa a Ser o valor inexorável quando deixa de existir para sempre.Nunca perca, pois, a oportunidade de devotar muito carinho e amizade àquele que é seu melhor amigo: SEU PAI.
( Marco Antonio Struve)

domingo, 1 de agosto de 2010

Saudades...



Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades.
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro.
Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre.
Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter! Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de 
casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente como só os cães são capazes de fazer.
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar.
Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade...
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que... não sei onde ... para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi.
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês ... mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria espontaneamente quando estamos desesperados... para contar dinheiro... fazer amor ...declarar sentimentos fortes ... seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples “I miss you” ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis!
De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...


(Clarice Lispector)

Pois é...

Pois é


Fica o dito e redito

Por não dito

É difícil dizer

Que inda é bonito

Cantar

O que me restou de ti

Taí

Nosso mais-que-perfeito

Está desfeito

E o que me parecia tão direito

Caiu desse jeito sem perdão

Então

Disfarçar minha dor

Já não consigo

Dizer que nós somos

Bons amigos

É muita mentira para mim

E enfim

Hoje na solidão ainda custo

A entender como o amor

Ffoi tão injusto

Pra quem só lhe foi

Dedicação

Pois é

E então...
 
(Elis Regina)

Poema - Ney Matogrosso

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo

Eu acordei com medo e procurei no escuro

Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança

Do tempo que eu era criança

E o medo era motivo de choro

Desculpa pra um abraço ou um consolo

Hoje eu acordei com medo mas não chorei

Nem reclamei abrigo

Do escuro eu via um infinito sem presente

Passado ou futuro

Senti um abraço forte, já não era medo

Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim

De repente a gente vê que perdeu

Ou está perdendo alguma coisa

Morna e ingênua

Que vai ficando no caminho

Que é escuro e frio mas também bonito

Porque é iluminado

Pela beleza do que aconteceu

Há minutos atrás...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Preciso Me Encontrar - Marisa Monte


Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr

Ouvir os pássaros cantar

Eu quero nascer, quero viver...

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir prá não chorar...

Se alguém por mim perguntar

Diga que eu só vou voltar

Quando eu me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr

Ouvir os pássaros cantar

Eu quero nascer, quero viver...

Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir prá não chorar...

Se alguém por mim perguntar

Diga que eu só vou voltar

Quando eu me encontrar

Quando eu me encontrar

Quando eu me encontrar

Depois que eu me encontrar

Quando eu me encontrar

Depois, depois

Que eu me encontrar

Quando eu me encontrar

Depois, depois

Depois que eu me encontrar...
 

Segredos


Preciso de outra história

Algo que saia do meu peito

Minha vida está entediante

Preciso de algo que eu não possa confessar



Até que todas as minhas mangas estejam manchadas de vermelho

De todas as verdades que eu disse

E que vieram honestamente, eu juro

Pensei que você tinha me visto por um instante, não, eu tenho andado à beira de um precipício, então
Diga-me o que quer ouvir

Algo que agradará os seus ouvidos

Cansado de todo ato insincero

Então abrirei mão de todos os meus segredos

Agora

Não preciso de outra mentira perfeita

Não me preocupo se as críticas nunca aparecem de uma só vez

Eu estou me desfazendo de todos os meus segredos

Meu Deus, é incrível como chegamos a esse ponto

Parece que estávamos tocando todas aquelas estrelas

Cujo condutor eram grandes carros pretos e brilhantes

E todos os dias eu vejo as notícias

Todos os problemas que poderíamos resolver

E quando uma situação aparece

Basta escrevê-la em um álbum

Sentado em linha reta, muito baixo

E eu realmente não goste da minha fluidez, oh,

Então abrirei mão de todos os meus segredos

Agora

Não há razão

Não há pena

Não há família

Eu estou me consumindo

Não me deixe desaparecer
Desfazendo de todos os meus segredos...

domingo, 25 de julho de 2010

Honestly, what would become of me?



Don't like reality, it's way too clear for me

Really, life is dandy, we are what we don't see

We miss everything daydreaming
Flames to dust, lovers to friends

Why do all good things come to an end?

Flames to dust, lovers to friend...

Wondering if I'll stay young and restless

Living this way, I stress less...

Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que... é o quê??


Como dizia  Charles Chaplin:

Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.

 

sexta-feira, 23 de julho de 2010

I Lost My Mind...




Amigos, hoje perdi o dia.

Assim disse o imperador uma noite, lembrando-se de não ter feito nenhuma boa ação naquele dia.(Citado em Suetônio, Vida do Césares, Tito, 8).Tito, imperador romano.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Trabalho Voluntário...


Ajudar ao próximo é a nossa prioridade !!!


Vamos ajudar, galera !!! Se cada um fizer um pouquinho a gente pode mudar muita coisa e fazer muita gente feliz.



Não esqueçam de que o meio-ambiente também necessita de nossa ajuda, pro nosso próprio benefício. Voluntários são fundamentais no reflorestamento, na limpeza e na preservação da natureza. Colaborem !
 
 
Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor... Não permita que alguém saia de sua presença sem estar melhor e mais feliz.

"O QUE ME PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS VIOLENTOS, É O SILÊNCIO DOS BONS."
(Martin Luther)
 
Sempre há um amanhã e a vida nos dá sempre mais uma oportunidade para fazermos as coisas bem, e temos que aproveitar cada oportunidade. O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente.
 
Não posso imaginar que uma vida sem trabalho seja capaz de trazer qualquer espécie de conforto. A imaginação criadora e o trabalho para mim andam de mãos dadas; não retiro prazer de nenhuma outra coisa.
(Sigmund Freud)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

. onde uma noite apenas dura todo o sempre.



Cada pessoa uma incógnita a ser decifrada...

Cada situação uma possiblidade de fazer o melhor ou deisistir e dar-se por vencido.



"Ando com uma caixa de interrogações em uma mão e um saco de possibilidades na outra".



Cada dia um novo desafio...

Não desviar do objetivo, focar no resultado é fundamental.



  • Desejo saber quanto de mim, há em ti?
  • Quanto de nós há em cada parte?
  • Quanto de cada parte, desejas?
  •  Quanto de ti, há em nós?
  •  Quanto do quanto há em nós?



Há uma terra a leste do coração,

meu amor,

para lá dos mundos naufragados,

à esquerda da esperança.



Um lugar onde o veneno da medusa

é bebido em cálices nocturnos,

e onde os adolescentes

nadam

com os primeiros golfinhos da manhã.



Não tem nome nem mapa nem rota,

é uma terra de vento e luz,

onde Deus está por inventar,

e o Demo não desembarcou ainda

com as suas filhas de prata.



É uma pulsante ilha no meu peito,

escuta-a, amor,

a terra onde poisarás a fronte,

e onde uma noite apenas

dura todo o sempre.



( João de Mancelos, in Alma Azul )

domingo, 11 de julho de 2010

Instinto assassino...


Um estudo recente chegou a uma conclusão polêmica: samos (quase) todos assassinos em potencial. Ou você nunca quis matar alguém?



Você já teve vontade de matar alguém? Imaginou em detalhes como ia fazer isso? Chegou a pesar os prós e contras e, obviamente, percebeu que não fazia sentido (afinal, além de contrariar seus princípios morais, o risco de ser pego e o custo seriam muito grandes)? Bem, se você respondeu sim a essas perguntas, saiba que não está sozinho. Segundo o maior estudo realizado sobre fantasias homicidas, 91% dos homens e 84% das mulheres admitiram já ter pensado (em minúcias) como se livrar de outra pessoa. Sim, você leu bem. A esmagadora maioria dos 5 mil entrevistados (entre os quais 375 assassinos) confessaram esse fato, o que levou o coordenador da pesquisa, David Buss, chefe do Departamento de Psicologia Evolutiva da Universidade do Texas, a concluir que a capacidade de tirar a vida é uma característica comum a todos os seres humanos, resultado da seleção natural. Além das conversas ao vivo, a equipe ainda fez uma inédita análise de 429729 relatórios do FBI, a polícia federal americana, e transformou os resultados no livro The Murderer Next Door ("O Assassino Mora ao Lado"), que foi lançado este ano nos EUA.
As conclusões são estarrecedoras e surpreendentes. Afinal, ninguém (exceto alguns psicopatas) admite que o homicídio seja uma prática socialmente aceita. Ao contrário, é um crime abominável. Para Buss, porém, a predisposição para cometê-lo "em determinadas circunstâncias" está nos nossos genes. "A capacidade de matar ajudou nossos ancestrais a sobreviver e a se reproduzir melhor. Como seus descendentes, carregamos essas adaptações e motivações que levaram ao sucesso deles", afirmou o cientista à super. Segundo ele, o assassinato tem sido uma solução eficaz para lidar com diversos problemas na história evolutiva da humanidade. "Quais são essas vantagens? Em primeiro lugar, o indivíduo que mata continua vivo para transmitir seus genes às gerações seguintes. O que é morto, não. Além disso, os descendentes da vítima – se existirem – ficam mais desprotegidos e, se também não morrerem precocemente, saem de um ponto de partida desvantajoso na corrida pela reprodução e sobrevivência."

Passado e presente
Segundo a tese de Buss, historicamente o assassinato representou uma vantagem evolutiva. A violência ajudou os homens a conquistar status e recursos (comida, terra, ferramentas etc.) fundamentais para atrair e manter parceiras. Ou seja, na maioria dos casos o motivo que levava alguém a matar estava ligado direta ou indiretamente à reprodução. "Homicídios relacionados à reputação têm tudo a ver com questões genéticas, pois mulheres preferem homens de status", diz o pesquisador, para quem isso também explicaria por que homens matam muito mais do que mulheres – numa proporção que chega a 9 para 1 em algumas sociedades.
Hoje, muito dessa competição por status se dá no mercado de trabalho, no mundo dos negócios, nos esportes etc. E é óbvio que o assassinato raramente conduz alguém ao topo na civilização moderna, como o próprio Buss reconhece. "Mas a humanidade não evoluiu numa sociedade com código penal. Nossa psicologia foi forjada na fornalha de um ambiente evolutivo no qual a agressão às vezes era muito compensatória." Ou seja, atualmente algumas pessoas matam "por inércia", mesmo que isso não tenha mais compensações, inclusive do ponto de vista da seleção natural. O cientista acredita, porém, que "em situações-limite" – circunstâncias análogas às que no passado levaram o homem a se beneficiar da violência –, determinados circuitos cerebrais (os responsáveis pelo tal instinto assassino) podem ser ativados.
Isso quer dizer, então, que matar é aceitável ou desculpável, uma vez que é uma ação prevista em nossos genes? Como aceitar que a ciência trate com naturalidade uma atitude que nega o bem mais fundamental da nossa existência, a vida? Críticos da psicologia evolutiva costumam afirmar que ela dá uma importância exagerada à busca dos homens por parceiras para reprodução. E que isso reforça estereótipos sexuais, além de superestimar características inatas. Se você quiser acreditar nessa lógica, argumentam esses estudiosos, quase todos os comportamentos têm a mesma origem: o desejo sexual. Por isso, há quem coloque em dúvida inclusive as bases científicas da teoria levantada por Buss.
"Há muita especulação envolvida quando psicólogos evolutivos formulam hipóteses sobre os supostos anos formativos do cérebro humano", escreveu recentemente Amanda Schaffer, colunista de ciência da revista online Slate. Também o filósofo da ciência David Buller, da Universidade do Norte de Illinois, questiona a maneira pela qual Buss e seus colegas apresentam a cadeia de transmissão genética de padrões de comportamento – argumentando que nosso cérebro não é uma máquina de repetição de padrões, mas um organismo muito mais flexível e adaptável às condições presentes e às variações do ambiente e da comunidade.

Sobre homens e macacos
Algumas das idéias expostas por David Buss em seu livro não são novas e têm relação com teses bem mais antigas, que tentam achar explicações para a violência no mundo animal. Durante muito tempo acreditou-se que o homem era o único ser vivo capaz de matar deliberadamente um semelhante. O caráter pacífico de nossos parentes mais próximos, como os chimpanzés, era usado como argumento para justificar a tese de que o assassinato era um desvio de comportamento humano. Essa crença, porém, começou a ser questionada no início da década de 1970, quando a equipe da britânica Jane Goodall testemunhou por duas vezes chimpanzés invadindo a área de um grupo vizinho, na Tanzânia, para perseguir e matar com "requintes de crueldade", como descreveriam os repórteres policiais.
Também nos anos 70, Dian Fossey encontrou um filhote de gorila morto por um adulto macho em Uganda. "O exame do cadáver revelou 10 ferimentos de gravidade variável produzidos por mordidas. Uma delas tinha fraturado o fêmur do bebê e outra tinha perfurado seus intestinos", contou Fossey no livro que inspirou o filme Nas Montanhas dos Gorilas. Mais tarde, ela descobriu que, ao invés de ser um fato isolado, o infanticídio era regra na espécie. A agressividade entre primatas foi estudada pelo britânico Richard Wrangham, autor de O Macho Demoníaco – As Origens da Agressividade Humana, em que afirma que, do ponto de vista evolutivo, a violência extrema – e em especial o assassinato – foi uma estratégia que favoreceu tanto os chimpanzés quanto os humanos na cadeia evolutiva.
Nos dois casos descritos pela equipe de Goodall, os chimpanzés eliminaram os machos vizinhos, acasalaram com as fêmeas e aumentaram seu território e o acesso a importantes fontes de alimento – mas, ironicamente, acabaram assassinados mais tarde por outros indivíduos ainda mais fortes. No caso dos gorilas, depois do infanticídio as mães de filhotes mortos terminaram unindo-se ao agressor. Wrangham prefere ser mais cauteloso ao traçar paralelos com o comportamento humano. Para ele, nos dias atuais, os assassinatos que podem estar diretamente ligados à nossa herança evolutiva são os cometidos por grupos, como gangues ou exércitos (leia mais no quadro da página ao lado). Nesse ponto, o pesquisador admite que há de fato muitas semelhanças entre homens e chimpanzés. "Tanto uns quanto outros sentem que há uma justificativa para matar membros de comunidades vizinhas ou rivais", disse por telefone à super, de seu escritório na Universidade Harvard, nos EUA.

Pobreza e desigualdades
Mas onde se encaixam as questões sociais ligadas a aumento ou redução das taxas de homicídios, como pobreza e desigualdade, à cultura da violência em algumas sociedades, ao fácil acesso a armas de fogo e até à impunidade? É inegável a relação entres esses fatores e o número de assassinatos. Um estudo recente – embora ainda não tenha sido muito detalhado – mostra que em 2004, pela primeira vez em 13 anos, caiu o número de mortes por armas de fogo no Brasil. A queda coincide com a campanha de desarmamento liderada pelo governo federal, que retirou mais de 400 mil armas de circulação.
Basta olhar também para o mapa da violência nas grandes cidades para perceber a concentração de crimes com morte nas áreas de maior desigualdade social. David Buss não nega a ligação entre indicadores sociais ruins e o aumento do número de homicídios, mas garante que ela corrobora sua tese: pobreza e desigualdade aumentariam o número de homens dispostos a atos extremos para conseguir recursos e status – e, assim, atrair mulheres.
Mas, se todos estamos programados para matar, por que só uma ínfima minoria toma a decisão de fazê-lo? Segundo Buss, o assassinato é apenas uma de várias estratégias num cardápio de soluções possíveis para problemas de adaptação. "Felizmente, na maioria das vezes as pessoas usam meios não letais para resolvê-los." Ele destaca que, antes de tomar qualquer decisão, medimos as conseqüências, avaliamos o custo/benefício e pesamos as alternativas. E, como a seleção natural nos legou (além do instinto assassino) muitas ferramentas boas – altruísmo, amizade, auto-sacrifício, cooperação e tantas outras –, optamos na maioria dos casos por respostas positivas.
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Crime e castigo
Além disso, as penas severas impostas pelas sociedades modernas funcionam como uma importante forma de inibir a violência extrema. Há crime, mas também há castigo. Nas entrevistas conduzidas pela equipe de Buss, a justificativa mais freqüente para explicar por que as pessoas pensavam em matar, mas não chegavam às últimas conseqüências, foi justamente o medo de ser pego e de passar o resto da vida trancado numa cadeia. "Sem leis duras e penas de prisão longas, haveria muito mais assassinatos do que há hoje", diz o pesquisador. Princípios morais e religiosos também foram bastante citados, embora historicamente eles tenham se mostrado pouco eficientes para evitar conflitos regionais e guerras (na verdade, muitas delas nasceram e floresceram justamente com base em ideais defendidos por esta ou aquela religião).
Se você é dos que acreditam que depois de tantos séculos de vida em comunidade, com fantásticos avanços nas áreas da cultura e da civilização, o homem deveria ser capaz de controlar inclusive os traços deturpados de seu comportamento ancestral, há esperança. Até os psicólogos evolutivos admitem que, embora a informação genética esteja lá, muitas das circunstâncias capazes de desencadear o instinto assassino são facilmente controladas socialmente. "Matar não eleva o status de ninguém", exemplifica Buss. Os bons valores importam, sim. E muito.
87% dos homicídios nos EUA são cometidos por homens. E 75% das vítimas também são homens. Os números são similares na maioria dos países, Brasil inclusive.
Fonte: The Murderer Next Door, de David Buss

17,8 é o número de mortes por assassinato em cada 100 mil americanos entre 20 e 24 anos de idade. Na faixa dos 34 aos 39 anos,o número cai para 12 casos.
Fonte: The Murderer Next Door, de David Buss

106,3 habitantes, em cada 100 mil do bairro de Parelheiros, em São Paulo, foram vítimas de homicídio em 2000. No mesmo ano, a estatística no bairro nobre do Jardim Paulista foi de 3,6 casos em cada 100 mil habitantes.
Fonte: Homicídios no município de São Paulo: Perfil e subsídios para um sistema de vigilância epidemiológica, GAWRYSZEWSKI V.P. (2002).

• Venezuela - 22
• Brasil - 19,5
• Porto Rico - 17,4
• Argentina - 4,3
• EUA - 4
• Uruguai - 3,1
• Reino Unido - 0,07
• Japão - 0,02
• Egito - 0,02
A sensação de que se mata muito no Brasil não é uma invenção da imprensa. Mas pesquisas recentes mostram que, proporcionalmente, é baixo o número de assassinatos que ocorrem durante assaltos ou seqüestros (veja o quadro). A maior parte desses crimes é cometida por homens jovens contra homens jovens e envolve questões pessoais e algum tipo de defesa da reputação, honra ou status local. Na cidade de São Paulo, em 1995, apenas 6% dos homicídios de autoria conhecida e 21% dos homicídios de autoria desconhecida foram qualificados como latrocínio (roubo seguido de morte), segundo levantamento realizado pelo sociólogo Renato Sérgio de Lima para sua tese de mestrado na USP. "Os chamados conflitos interpessoais, categoria que inclui brigas em casa e nos bares, vingança, discussões privadas e toda sorte de disputas que não tinham nenhum tipo de relação com o crime organizado, responderam por 56% dos casos", diz Lima. Em outras palavras, mais da metade dos assassinatos envolve pessoas que não só se conhecem como competem de alguma maneira. Segundo o jornalista Bruno Paes Manso, que fez seu mestrado em ciências sociais na USP sobre o perfil dos homicidas paulistanos, "vingança e defesa da honra" são os dois principais motivos de assassinatos por "conflitos interpessoais" na periferia da capital. "Nesse ambiente tenso, vender-se como alguém que não leva desaforo para casa e não admite ser desrespeitado é fundamental. Muitas vezes o homicídio é uma forma de recuperar a honra questionada em público", avalia Manso, cuja tese foi lançada em livro com o nome de O Homem X.

Os motivos mais comuns para os assassinatos na Grande São Paulo. Dados de 1998 a 2000 do município de Diadema e das regiões sul e leste da capital.
• Problemas pessoais - 44
• Negócios ilícitos - 24
• Roubos e assaltos - 14
• Questões familiares - 8
• Outros - 10
Se a capacidade de assassinar está nos genes do homem e foi uma vantagem evolutiva, é isso que explica os homicídios coletivos, os massacres e as guerras? Segundo alguns psicólogos evolutivos, sim. Os guerreiros teriam tido mais sucesso em transmitir seus genes – e, com eles, a violência – às gerações seguintes. Além de eliminar rivais, os grupos vencedores se apoderaram de recursos dos vencidos.Guerras e invasões, por essa teoria, permitiram aos homens conquistar mais parceiras. A história está cheia de exemplos em que os machos do lado perdedor foram massacrados e as mulheres, poupadas – só para serem estupradas ou incorporadas ao grupo logo a seguir. O exemplo mais emblemático é o do conquistador mongol Gêngis Khan (1162-1227), notório assassino, a quem se atribui a frase "O maior prazer é eliminar o inimigo e deitar nas barrigas brancas de suas mulheres e filhas". Pesquisa recente conduzida pelo geneticista Chris Tyler-Smith, da Universidade de Oxford, mostrou que, em 16 populações na área do antigo Império Mongol, 8% dos homens – 16 milhões de pessoas – possuem um cromossomo típico da família de Khan. A nefasta história do sexo como espólio de guerra repete-se até hoje, em conflitos como o da Bósnia e de Ruanda. A natureza homicida estaria ligada ao imperialismo de todas as potências – da Roma antiga ao Império Britânico. Tal como um indivíduo, um império (liderado por homens) almeja sempre mais poder. Portanto, estamos condenados a viver sob conflitos? Talvez não. Segundo o antropólogo Richard Wrangham, da Universidade Harvard, há algo essencial para o desenvolvimento da violência coletiva: o desequilíbrio de forças. Bandos de homens só atacam quando têm a percepção – nem sempre verdadeira – de que podem sair ilesos. "Se mantivermos um relativo equilíbrio de poder, podemos esperar paz", acredita.

The Murderer Next Door — Why the Mind is Designed to Kill
David M. Buss, The Penguin Press, 2005

O Macho Demoníaco – As Origens da Agressividade Humana
Richard Wrangham e Dale Peterson, Objetiva, 1998 (esgotado)

O Homem X – Uma Reportagem sobre a Alma do Assassino em São Paulo
Bruno Paes Manso, Record, 2005

Adapting Minds: Evolutionary Psychology and the Persistent Quest for Human Nature
David Buller, The MIT Press, 2005

Nas Montanhas dos Gorilas, 1998
(lançado em dvd pela Warner Home Video)

www.slate.com/id/2124503
Cave Thinkers - How Evolutionary Psychology Gets Evolution Wrong, Amanda Schaffer, Slate, 2005

desarme.org/publique/media/homicidios_SP.pdf
Conflitos Sociais e Criminalidade Urbana, Renato Sérgio de Lima, 2003

tristeza na sombra